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PESQUISA
CONCLUIDO
Coordenador
2012 — 2016
Ser russo em São Paulo
A Revolução Russa de 1917 e a formação do Estado Soviético ocasionaram grandes mudanças na estrutura social da Rússia e produziram um fluxo emigratório inédito no século XX. As características migratórias dessas populações provocaram grandes debates nos países europeus e resultaram no surgimento de uma nova categoria migratória: o refugiado. No Brasil, os primeiros imigrantes da Rússia pós-revolução começaram a chegar no começo dos anos 1920, tendo como principais destinos os estados do Sul e do Sudeste do país, principalmente a cidade de São Paulo, que se encontrava em fase de rápido crescimento econômico e urbano. Posteriormente, São Paulo recebeu mais duas grandes levas de imigrantes russos: os deslocados da Segunda Guerra Mundial, no final dos anos 1940, e os imigrantes russos da China, ao longo da década de 1950. Assim, as décadas de 1920 a 1950 foram o período de maior visibilidade dos imigrantes russos na cidade e dos processos mais intensos da estruturação de suas coletividades. Diante disso, a pesquisa se concentra nesse intervalo de tempo.
Num segundo momento, a pesquisa se propõe a explorar o que significava ser russo em São Paulo nesse período. O trabalho está fundado na percepção de que nenhuma identidade é uma característica estável, mas um processo contínuo cujos resultados advém de uma complexa teia de interações entre o Estado, a sociedade, o grupo e o indivíduo. Através de uma extensa pesquisa documental em arquivos públicos e particulares e com auxílio de depoimentos orais, buscou-se identificar de que modo as formas de sociabilidade dos imigrantes russos em São Paulo foram fruto de suas concepções coletivas sobre seu pertencimento e sua lealdade nacional. A pesquisa identificou que a falta de homogeneidade nos percursos migratórios, e também nas concepções sobre o próprio pertencimento, resultou em uma comunidade de imigrantes marcada por constantes conflitos internos, com o Estado e com a sociedade no Brasil. Essa dinâmica comunitária, somada à postura repressiva do Estado à época em relação aos imigrantes, ocasionou grandes rupturas entre gerações e entre diferentes levas migratórias de russos na cidade, que impactaram as formas de sociabilidade dos russos na cidade até os dias de hoje.
Financiador(es): Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
EXTENSAO
EM ANDAMENTO
Coordenador
2015 — Atual
Promigra - Projeto de promoção dos direitos de migrantes
O Promigra é uma extensão universitária da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FADUSP) criado no segundo semestre de 2015 com o objetivo de conscientizar a população migrante acerca dos direitos que possuem em nosso país e, dessa forma, auxiliá-los na busca dos mesmos. O Projeto atua em três frentes: Produção Acadêmica, Comunicação e Atendimento. As competências de cada subgrupo são divididas de forma que a produção acadêmica se encarrega de produzir notas e artigos que permitam a disseminação de conhecimento; a Comunicação se encarrega de ambas a produção de eventos que permitam dar representatividade à população migrante e a comunicação institucional do Projeto; e o Atendimento encarrega-se de assistir o migrante provendo informações quanto às suas demandas e questões.
PESQUISA
CONCLUIDO
Coordenador
2009 — 2010
Estratégias residenciais de imigrantes portugueses em um subúrbio parisiense
A pesquisa realizada no âmbito do programa de Mestrado (Master 2) da École des Hautes Études en Sciences Sociales - EHESS - de Paris, se interessou em estratégias residenciais dos imigrantes portugueses na França no nível familial e individual. Para eliminar a influência da comunidade étnica sobre as escolhas residenciais de seus membros, foi escolhido um bairro "neutro" de um subúrbio de Paris - Montrouge. Apoiando-se no amplo debate acadêmico sobre os percursos residenciais dos migrantes, a pesquisa partiu do pressuposto que a mobilidade residencial se apresenta como um indicador de todo o percurso social do migrante no país de instalação, revelando seus projetos e realizações entre oportunidades e limites impostos pela condição migratória. Foram analizados percursos residenciais de 6 famílias portuguesas em Montrouge com objetivo de entender de que maneira as escolhas de moradia são realizadas pelos imigrantes e quais estratégias elas revelam.
Financiador(es): Governo Frances
PESQUISA
EM ANDAMENTO
Coordenador
2019 — Atual
Imigração russa no Estado de São Paulo na primeira metade do século XX: uma reconstrução histórica através dos registros dos eventos vitais
O presente projeto de pesquisa tem por objetivo preencher lacunas no conhecimento sobre grupos de imigrantes russos no Estado de São Paulo na primeira metade do século XX, dando continuidade para a pesquisa "Ser russo em São Paulo: os imigrantes russos e a (re)formulação de identidade após a Revolução bolchevique de 1917", realizada com apoio do CNPq (Ruseishvili, 2016). Para isso, são priorizadas as fontes de dados alternativos, a maioria dos quais é redigida em idioma russo e contida nos acervos particulares - registros paroquiais de óbitos, batismos e matrimónios. Assim, a pesquisa buscará a: i) realizar inventário, sistematização e digitalização dos registros paroquiais das igrejas russas em São Paulo; ii) criar um Banco de dados produzidos a partir dessas fontes e iii) por meio de sua análise ancorada nos métodos da demografia histórica, complementada pelos dados trazidos de outras fontes, realizar uma reconstrução histórica das características sócio-demográficas e de mobilidade espacial dos imigrantes russos no Estado de São Paulo na primeira metade do século XX.
Financiador(es): Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
EXTENSAO
EM ANDAMENTO
Coordenador
2019 — Atual
Programa de Acolhimento de Migrantes e Refugiados
O deslocamento forçado se tornou uma das questões centrais para o século XXI, demandando soluções integradas e duráveis. Nesse contexto, a Universidade pública tem se tornado uma plataforma de discussão que visa promover ações e eventos para sensibilizar e informar a sociedade civil sobre a questão migratória.
Promover a educação, pesquisa e extensão acadêmica voltada à população em condição de refúgio é um dos objetivos da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Desde 2003, o ACNUR implementa a Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM) em cooperação com centros universitários nacionais e com o Comitê Nacional para Refugiados (CONARE). A UFSCar foi uma das primeiras instituições de ensino superior brasileiras a aderir a essa iniciativa (2009), que hoje é um modelo de boas práticas de acolhimento, com reconhecimento internacional.
A Cátedra Sérgio Vieira de Mello na UFSCar tem se tornado uma referência nacional no que diz respeito à inclusão dos refugiados por meio de acesso ao ensino superior. Há 10 anos, a UFSCar realiza o processo seletivo para ingresso na graduação reservado para os refugiados. Nesses 10 anos de ingresso diferenciado, a UFSCar recebeu o total de 28 estudantes refugiados aprovados em diversos cursos: administração, medicina, enfermagem, fisioterapia, imagem e som, engenharias (da computação, de produção, civil, química, entre outras), gestão e análise ambiental, psicologia, ciências sociais e outros.
Nos últimos anos, a Cátedra Sérgio Vieira de Mello na UFSCar tem buscado expandir as suas atividades para outros grupos de pessoas em deslocamento que precisam de oportunidades para se integrar na sociedade brasileira. Desde o início de 2019, a equipe multidisciplinar da Cátedra está acompanhando o grupo de refugiados venezuelanos em São Carlos que veio por meio do Programa de interiorização do governo brasileiro, no âmbito da Operação Acolhida. A Cátedra, em parceria com a prefeitura da cidade, tem elaborado ações para apoiar essas famílias em sua instalação na cidade, como, por exemplo, oferecimento de curso de português como língua de acolhimento, orientação com a regularização migratória, atenção à saúde, entre outras.
Além desse grupo, a Cátedra tem acompanhado a adaptação dos alunos estrangeiros (PEC-G) no ambiente universitário e na cidade. A equipe de saúde mental da Cátedra tem pensado em ações para acolher esse grupo de alunos, respeitando a sua diversidade cultural e linguística.
Dessa maneira, o presente Programa visa institucionalizar as ações de extensão que vem sendo desenvolvidas pelas equipes da Cátedra.
Hoje, a Cátedra integra a Secretaria Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (SAADE), o que é fundamental, pois se trata de grupos sociais vulnerabilizados em razão do deslocamento. No entanto, a diversidade de suas ações e de sua equipe interdepartamental tem exigido a sua institucionalização também enquanto um Programa de extensão.
Portanto, trata-se de um projeto de ensino, pesquisa e extensão com longa história na UFSCar e que tem necessitado uma forma de institucionalização que possa abranger áreas de atuação diversificadas e autônomas orientadas às questões de hospitalidade e interculturalidade dentro e fora da nossa Universidade.
EXTENSAO
EM ANDAMENTO
Coordenador
2020 — Atual
Projeto Esperans
O Projeto Esperans é um um curso de português para os migrantes haitianos em Sorocaba, que existe desde 2017 e é auto-gerido por alunos da UFSCar Sorocaba. O objetivo do projeto é ministrar aulas de português para imigrantes haitianos que residem na cidade de Sorocaba e região para possibilitar a sua inserção linguística, social e laboral e uma vida digna. As aulas são ministradas por voluntários e pelos membros do projeto, alunos da UFSCar. Na pandemia, aulas foram ministradas no formato on-line, mas assim que as atividades presenciais forem retomadas, o curso voltará no formato presencial.
Financiador(es): Universidade Federal de São Carlos
PESQUISA
EM ANDAMENTO
Coordenador
2023 — Atual
Partos e passaportes: mobilidades de parto e cidadania estratégica no Brasil contemporâneo
O objetivo deste projeto de pesquisa é investigar as "mobilidades de parto" ("turismo de parto" como é chamado no senso comum) como um caminho para a cidadania estratégica. O fluxo crescente de mulheres estrangeiras que vêm para dar à luz em países cuja cidadania é gerida pelo princípio de nascimento (jus soli) para adquirir o passaporte daquele país tem chamado atenção das autoridades migratórias e da mídia nos países americanos. A presente pesquisa visa preencher as lacunas da literatura científica sobre a cidadania estratégica ao: i) abordar as práticas reprodutivas como caminho para adquirir cidadania adicional por nascimento, e ii) introduzir o elemento gênero no debate, já que esta aquisição de cidadania é condicionada à capacidade reprodutiva do corpo feminino. O projeto empregará uma diversidade de métodos qualitativos (revisão de literatura e documentos, entrevistas com sujeitos envolvidos na prática de mobilidade de parto, observação participante, escuta nas redes sociais e questionário on-line) para reunir uma grande variedade de dados que nos permitirá analisar de forma abrangente a prática da mobilidade de parto de mulheres russas no Brasil. Como hipótese central, defendo que a mobilidade de nascimentos resulta da subjetividade neoliberal que transforma os significados tradicionais do pertencimento nacional e do parto. Da categoria prescrita, o pertencimento nacional se transforma em um recurso no contexto da insegurança gerada pelos conflitos geopolíticos e a crescente desigualdade global. Do evento biológico passivo, o parto se transforma em uma prática que visa maximizar os lucros, entendido não apenas no sentido econômico, mas numa dimensão de cuidado.
Financiador(es): Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
PESQUISA
EM ANDAMENTO
Coordenador
2021 — Atual
A diáspora russófona e o transnacionalismo: formas híbridas de mobilidade e novos significados de cidadania à luz das convulsões geopolíticas
Este projeto visa investigar como os recentes eventos no espaço pós-soviético refletiram sobre as formas de mobilidade internacional de migrantes de língua russa. Estamos particularmente interessados em compreender como a re-significação da cidadania como um recurso para aumentar a mobilidade produz novas formas híbridas de mobilidade internacional (turismo/migração), tais como o turismo de parto e o nomadismo digital.
PESQUISA
CONCLUIDO
Coordenador
2018 — 2018
Perfil Sócio-Econômico e Laboral das Pessoas Refugiadas no Brasil
Pesquisa ACNUR-Cátedra Sérgio Vieira de Mello, desenvolvida entre Abril-Dezembro de 2018, nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Amazonas e no Distrito Federal.
Para a realização do trabalho de campo foi elaborado desenho amostral que levou
em consideração a amostragem intencional por cotas, para estimar proporções das variáveis sociodemográficas, sendo estabelecido um total de 500 entrevistas. Essa amostra
foi aplicada em 14 cidades, distribuídas em oito Unidades da Federação - São Paulo, Rio
de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Santa Catarina, Minas Gerais e
Amazonas - que concentram 94% dos refugiados sob a proteção do governo brasileiro. A
alocação do número de entrevistas em cada um dos estados levou em consideração sua
participação relativa no total da amostra.
Financiador(es): Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados